Onde está tua felicidade?

Vivemos em um mundo onde todos buscam, incessantemente, a felicidade. E, ainda que não a encontrem, maqueiam toda essa falta da mesma, pois parece inadmissível não tê-la. Basta olhar as redes sociais e ver quantas pessoas “felizes” nos cercam. Casais perfeitos, melhores looks nas melhores festas, corpos superdefinidos, viagens e empregos dos sonhos… Enfim, encontramo-nos em uma época que a felicidade está, realmente, no topo da lista dos desejos em geral, e isso não é um erro! Fomos criados para sermos felizes, é algo de origem divina! Deus, quando fez o homem e lhe entregou toda a criação, tinha o intuito de que ele cuidasse de todas as coisas e fosse feliz. Então, por que muitas vezes nos perdemos no caminho para encontrá-la?
Perdemo-nos porque não procuramos como e onde realmente deveríamos. A felicidade não está nas coisas palpáveis. Ela não é simplesmente ter uma estabilidade financeira, possuir o carro do ano, comprar o Iphone da última geração. Nesse anseio de sempre ter algo a mais e melhor, tendemos à desilusão por não conquistar tudo que almejamos e, até mesmo, quando se tem a “sorte” de conquistar, sempre surge algo novo a se desejar. Nunca estamos totalmente satisfeitos e realizados com o que temos, sempre queremos ir além. E é neste ponto que precisamos enxergar a diferença: felicidade não é TER, é SER.
No CIC 2548 encontramos que “o desejo de felicidade verdadeira liberta o homem do apego imoderado aos bens deste mundo, (felicidade) que se realizará na visão e na bem-aventurança de Deus.”. Ou seja, é necessário parar e pensar se a felicidade que estamos buscando nos faz realmente livres, porque uma vez que nos aprisiona, ela não é verdadeira. Devemos sim lutar pelas conquistas profissionais, cuidar da nossa saúde e aparência, desejar conquistar algumas coisas, buscar ser feliz em nossos relacionamentos, mas, se o sentido da vida estiver pautado só nesses desejos, sempre teremos um vazio. Nossa felicidade precisa estar firmada naquilo que é eterno, somos criaturas terrenas feitas para a eternidade, então nada que não tenha essa significância nos preencherá por completo. Há uma música do Missionário Shalom que pode nos ajudar nessa reflexão: “Foi para o Céu que Eu te criei / Para a eternidade Eu te chamei / De que vale tua vida parada em coisas pequenas? / De que vale teu coração preso no que é vão?” É hora de nos questionarmos onde estamos depositando nossas expectativas, nossos sonhos, nossa energia, nosso coração.
O Catecismo (30) nos ensina também que, ainda que rejeitemos a Deus, Ele não cessa de nos chamar a procurá-lo para que vivamos e encontremos a verdadeira felicidade. Mas esta busca exige de nós todo o esforço da inteligência, a retidão perante a Sua vontade, “um coração reto”, e também o testemunho dos outros, que nos ensina a procurar a Deus. Ou seja, a partir do momento que conseguirmos trilhar este caminho, precisaremos testemunhar isso ao outro, mas que esse testemunho não seja só com palavras, mas sim por inteiros, desde o pensar ao agir. Vale ressaltar que na própria Palavra encontramos uma resposta ao desejo natural de felicidade: as bem-aventuranças – em algumas traduções os “bem-aventurados” são nomeados como “felizes”. É uma resposta que nos atinge individualmente e também quanto Igreja, pois nelas acolhemos o cuidado de Deus nas afirmações como “felizes os que choram porque serão consolados”. Que tenhamos clara a certeza de que a verdadeira felicidade vem Dele, e só podemos alcançá-la à medida que nos aproximamos do Autor dela.
“Não andes averiguando quanto tens, mas o que tu és.
A verdadeira felicidade não consiste em ter muito, mas em contentar-se com pouco.”
Santo Agostinho

Caroline Gomes – Discípula da Comunidade dom de Deus

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